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domingo, 21 de dezembro de 2008
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Não tenhas medo, menina. Tu tens o mundo inteiro para desbravar. Descobrir seus mistérios, correr os olhos carregados de espanto e alegria por estas vastas terras. Vais visitar cada cidade que compõe cada estado que compõe cada país, que compõe essa imensa esfera azul-mar. Finalmente teus sonhos vão se renovar e se realizar assim que você colocar os pés pra fora de casa. As fotografias, os relatos e as lembranças serão inúteis para descrever a sensação que será sentida. Além de descobrir o mundo, tu vais também descobrir as pessoas. As pessoas que tanto protagonizaram teus sonhos e pesadelos, elas que participaram do espetáculo das tuas memoráveis fases voluntária ou involuntariamente. Tu, que sempre quis desvendar os segredos do mundo, estás aqui agora. Com ele aos teus pés. Tu podes conseguir ainda mais! Tu podes ter tudo em tuas mãos, basta lutar para alcançar. Porém, preciso advertir-lhe apenas uma simples coisa: A única coisa que a ti é restrita é o relógio. Mesmo querendo e lutando para alcançar, tu não podes alterar o curso dos ponteiros. Espere. Tua vida é uma espera, que custa um pouquinho mais? Não te esqueças, menina, de tuas raízes, de teu chão. Qualquer dia, tu vais ultrapassar as fronteiras do teu amável lar. Talvez esse dia seja amanhã, ou um dia da semana que vem.

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sábado, 13 de dezembro de 2008
Saudade anônima
"Oi. Eu sei, minha primeira palavra aqui causa uma impressão de distância, quando na verdade não tem. Para mim, ela soa saudade. Saudade das inúmeras tardes que passei ao teu lado. Saudade dos nossos sorrisos à toa, só por estarmos na companhia recíproca. Saudade de acariciar seus cabelos, de vê-los dançando conforme a música que o vento insistia em cantar bem baixinho, quase que num balbucio. Saudade dos nossos planos. Saudade da nossa vontade de carregar o mundo. Saudade da nossa vontade de ser feliz. Da minha vontade de ser feliz ao teu lado. Saudade do escuridão do cinema em que nós víamos os nossos filmes preferidos juntos. Saudade da sensação que eu tinha ao enrolar meu dedo no fio do telefone. Saudade de ter longas conversas com você, não importando o meio de comunicação. E principalmente saudade de tudo que nós íamos passar, se não fosse a distância glacial que teimava em ficar entre nós. Agora o gelo quebrou. Estou aqui outra vez, por meio de uma singela carta. É o que dizem por aí: tudo que é mais simples é mais profundo. Só precisas saber que o real significado da minha súbita comunicação é esse: eu sinto saudade de você. Eu senti a necessidade de escrever, no mínimo, uma única palavra, e no máximo, três. Já vi que ultrapassei demasiadamente o limite que eu havia colocado na minha mente borbulhante. Apenas faça de conta que essas palavras não existiram, e que a carta ainda está na primeira linha, primeira palavra. Para parecer mais real, irei escrever mais uma vez. Só que agora, com o limite de seis palavras:

Oi. Eu sinto a sua falta.

(fecha aspas)

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
meio-fio.
Penélope cansou da vida. Cansou das pessoas, cansou das regras burladas, cansou da realidade cruel, da eternidade má. Penélope era uma menina considerada normal por todos. Boas notas, excelente comportamento e mais tudo aquilo que pode ser considerado o tipo ideal de garota. Sim, ela ERA assim. Num dia comum, ela não quis mais ser comum. Desistiu de tudo aquilo que estava planejando para mergulhar no novo, no desconhecido. Estava cheia de respirar o ar poluído da monotonia e de fecharignorar esse mundo de pessoas tão vazias, pois agora ela tem coragem o suficiente pra encarar tudo de frente. À tarde, seu pai iria dar uma volta de carro. Por que não se enterrar no banco de trás e olhar novamente aquela monotonia, enquanto seu pai faz as mesmas perguntas todo domingo ? Porque Penélope mudou. Mudou para melhor ou para pior ? Nem mesmo ela sabe. Sua mãe diz que é coisa de adolescente, mas não consegue fazer com que a filha acredite em sua afirmação. Penélope mudou de uma hora para outra os seu jeito de tocar a vida.
Antes ? gostava dos números ímpares, por serem mais autênticos que os pares. Talvez daí venha a ausência de um namorado na vida dela. Hoje ? Prefere o número zero, apesar dele ser par. Para Penélope, o zero não faz diferença. O zero é o único que consegue ser tudo e nada, ao mesmo tempo. O zero consegue burlar as leis da Física, coisa que ela sempre quis fazer desde criança, apesar de não gostar de ultrapassar os limites impostos pelas tais regras. Agora ela não sente medo de nada. Penélope gostava de fazer fotografias. Hoje, ela prefere as pessoas em carne e osso. Não quer mais se apegar a uma coisa passada, por mais que o sentimento de nostalgia queira penetrar em sua mente. A cada dia, ela faz uma nova descoberta sobre a sua vida, que antes tinha a aparência de vitrine: muitos viam e davam opiniões. Hoje, está tudo fechado para balanço. Penélope sorri pelos cantos. Ela descobriu que o sangue que corre em seu corpo transporta uma certa dose de felicidade e medo (de algo que ela ainda não descobriu) para cada uma de suas células. Penélope descobriu que há dois lados da vida.
Penélope descobriu que há um mundo dentro de si. Se ela não descobrisse isso agora, poderia descobrir depois. NÃO. Depois seria... depois seria demasiado tarde.

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