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sábado, 13 de dezembro de 2008
Saudade anônima
"Oi. Eu sei, minha primeira palavra aqui causa uma impressão de distância, quando na verdade não tem. Para mim, ela soa saudade. Saudade das inúmeras tardes que passei ao teu lado. Saudade dos nossos sorrisos à toa, só por estarmos na companhia recíproca. Saudade de acariciar seus cabelos, de vê-los dançando conforme a música que o vento insistia em cantar bem baixinho, quase que num balbucio. Saudade dos nossos planos. Saudade da nossa vontade de carregar o mundo. Saudade da nossa vontade de ser feliz. Da minha vontade de ser feliz ao teu lado. Saudade do escuridão do cinema em que nós víamos os nossos filmes preferidos juntos. Saudade da sensação que eu tinha ao enrolar meu dedo no fio do telefone. Saudade de ter longas conversas com você, não importando o meio de comunicação. E principalmente saudade de tudo que nós íamos passar, se não fosse a distância glacial que teimava em ficar entre nós. Agora o gelo quebrou. Estou aqui outra vez, por meio de uma singela carta. É o que dizem por aí: tudo que é mais simples é mais profundo. Só precisas saber que o real significado da minha súbita comunicação é esse: eu sinto saudade de você. Eu senti a necessidade de escrever, no mínimo, uma única palavra, e no máximo, três. Já vi que ultrapassei demasiadamente o limite que eu havia colocado na minha mente borbulhante. Apenas faça de conta que essas palavras não existiram, e que a carta ainda está na primeira linha, primeira palavra. Para parecer mais real, irei escrever mais uma vez. Só que agora, com o limite de seis palavras:

Oi. Eu sinto a sua falta.

(fecha aspas)

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